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sábado, 18 de outubro de 2008

há palavras que nos beijaM



Há palavras que nos beijam 
Como se tivessem boca, 
Palavras de
aMor, de esperança, 
De imenso amor, de esperança louca. 

Palavras nuas que beijas 
Quando a noite perde o rosto, 
Palavras que se recusam 
Aos muros do teu desgosto. 

De repente coloridas 
Entre palavras sem cor, 
Esperadas, inesperadas 
Como a poesia ou o amor. 

(O nome de quem se ama 
Letra a letra revelado 
No mármore distraído, 
No papel abandonado) 

Palavras que nos transportam 
Aonde a noite é mais forte, 
Ao silêncio dos amantes 
Abraçados contra a morte. 



Alexandre O`Neil



terça-feira, 14 de outubro de 2008

william BLAKE - fragMento de obra





"... to see a World in a grain of sand and a heaven in a wild flower, hold infinity in the palm of your hand and eternity in a hour... "


 

(desenhos e pensamentos de mais alguém que nasceu num dia de Outono a 28 de Novembro)



domingo, 5 de outubro de 2008

ouTono


A fotografia é de Ansel Adams, um dos meus preferidos.
Os seus trabalhos têm o factor da não manipulação da imagem
são as imagens que conseguem mostrar o que de melhor existe no nosso planeta

mas para mim são também as imagens que melhor ilustram o Outono

Sempre gostei do Outono,

Das suas cores, das formas que aparecem no chão

Gosto da facto da natureza ficar despida e mesmo assim ter força para resistir

Do vento forte que dança com tudo o que está em repouso

Em contraste com a brisa seca que sopra com tanta doçura

O outono não é para os fracos, só as raízes mais fortes sobrevivem

Fortalece os que resistem

Arrasa com tudo o que é supérfluo

(de VR)



sábado, 4 de outubro de 2008

IceLandic musIc

Sigur Rós: Inní Mér Syngur Vitleysingur


"pedaço" da letra original - tradução
...
Minn besti vinur hverju sem dynur
Illum látum, í faðmi grátum
Ég kyngi tári og anda hári
Þegar að við hittumst
Þegar að við kyssumst
Varirnar brenndu, höldumst í hendur
Ég sé þig vakinn
Ég sé þig nakinn
Inní mér syngur vitleysingur

...
My best friend whatever may happen
Making a ruckus, we cry on each other's arms
I swallow a tear and breathe in your hair
When we meet
When we kiss
Lips burning, holding hands
I see you waking up
I see you naked
Within me a lunatic sings


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

fragMento


Eu quero olhar-te nos olhos,
(...)
E agarrar as tuas mãos febris
Com as minhas mãos geladas
E dizer-te que as nossas mãos
São asas com que podemos voar
Para lá da pequenez desta prisão crepuscular,
E mergulhar na magnitude do mistério.
E ouvir-te dizer que voar é impossível
E dizer-te que entre nós não há impossíveis...

fragmento de poema:
 "Amo-te todos os dias" de Gonçalo Nuno Martins


terça-feira, 2 de setembro de 2008

A força das palavras


Há ruas que nos passam completamente despercebidas, outras a que ninguém fica indiferente mas no meu bairro existem espaços preciosos e recantos surpreendentes.
Alfama é assim, tem o poder de seduzir ao primeiro encontro, as ruas estão cheias de sensações e se ficarmos tempo suficiente, saímos de lá com os sentidos completamente embriagados com o que nos é oferecido. 
São as cores, os cheiros intensos, a música que por se ouvir tão alta parece que caí das varandas, as texturas e remendos que se sentem quando se passam as mãos pelas paredes e a alegria tola que se sente quando se bebe um copo de vinho numa taberna cheia de gente.

Pronto, já chega, não vou escrever sobre o que AlfaMa é para mim... pelo menos por enquanto.
Apenas partilho estes pedaços de cimento, que são feios, tristes, cinzentos, gastos e que tapam o abandonado. Mas estes pedaços de cimento são também o suporte para desabafos.
Há já algum tempo que estes cantos são mensagens, na maioria das vezes sobre aMor. 
Existem tantos, são todos tão intensos e de um enorme calor.

Se pudesse também escrevia, apesar de em tempos já ter escrito nas paredes (sim, porque as ruas lá do bairro também são minhas...). Mas agora escrevia a sério e não aquelas coisas de miúdos. 

Enquanto escrevo e não escrevo cá vai a mensagem que deixaria naquele pedaço de cimento (para B): 
Nada é melhor do que sentir a tua pele a tapar-me o corpo, a tua barba na minha nuca, as mãos que me amparam o rosto